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Junta de Extremadura - Consejeria de Cultura
MEIAC - Museo Extremeño e Ibero Americano de Arte Contemporáneo, Badajoz

net.art e comunidades virtuais
20,21,22-01-2000
Comissario:
António Cerveira Pinto

Patrocinios
IAC - Instituto de Arte Contemporânea
Gabinete de Iniciativas Transfronterizas
Caja de Badajoz



O 1º Seminário de Arte e Tecnologia (SAT1), promovido pelo Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, realiza-se nos próximos dias 20, 21 e 22 de Janeiro em Badajoz. Esta iniciativa destina-se a fomentar o intercâmbio de conhecimentos, ideias e experiências entre artistas, críticos, promotores e outros agentes culturais especializados, sobre as relações cada vez mais estreitas entre a criação artística e as tecnologias digitais de representação e comunicação interactivas. Durante este seminário serão apresentados e discutidos alguns dos mais recentes projectos relacionados com as chamadas arte digital, net.art e respectivas comunidades virtuais.

Este seminário, que se prevê anual, decorre em grande parte da criação da Galeria Virtual do MEIAC, cuja presença na ARCO 2000 dará início ao primeiro núcleo museológico centrado exclusivamente na arte digital de autores iberoamericanos.

A designação "arte digital" é, em primeiro lugar, um modo de pensar as novas condições de produção, circulação e usufruto da própria criação artística contemporânea. Entrámos numa nova era de competição dos saberes, de competição produtiva e de competição comercial, a qual dará seguramente origem a uma nova espécie de divisionismo económico, social e cultural. Para a arte contemporânea, o debate sobre a incidência decisiva da tecnologia, da comunicação, da telepresença e da interactividade no seu futuro imediato torna-se, assim, inadiável. O momento anti-tecnológico e anti-estético da modernidade chegou ao fim.

A "arte digital" é a arte do "mundo global". E o "mundo global" é uma forma inteiramente nova de hiperrealismo em rede, da representação do mundo confundida com a sua própria percepção, da telepresença constante, da grande interactividade e da promessa de uma nova democracia, que por ora espera impacientemente o seu Montesquieu. A Internet é, por assim dizer, o estado instantâneo e actual desta mutação civilizacional. Não sabemos onde esta rede magnífica e caótica irá parar. Sabe-se, para já, que é capaz de gerar simultaneamente a globalização e a localização das identidades e da comunicação. Esta espécie de globalização local, e de localização global, é uma realidade complexa e sobretudo exigente. Ignorá-la significa já uma certa forma de exclusão (ou de auto-exclusão).

Nos campos artísticos e da museografia a revolução digital tinha que despontar mais tarde ou mais cedo. O Louvre, o Smithsonian Institution, o MoMA, o Whitney Museum, foram alguns dos pioneiros da virtualização do museu. O Walker Art Center foi a primeira instituição a criar uma colecção de arte digital nascida na Web (a chamada "web art" ou "net art"). O Guggenheim, por sua vez, lançou em 1999 um ambicioso programa de produção e divulgação de arte digital, a que chamou Virtual Projects. A iniciativa do MEIAC, de apresentar o seu Web Site e a sua Galeria Virtual nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2000, pertence seguramente a este primeiro ciclo de adaptação à nova realidade.

O Site do MEIAC será a sua forma expedita de comunicar com o mundo e de permitir que esse mesmo mundo aceda remotamente ao seu conteúdo. A Galeria Virtual do MEIAC, por sua vez, destina-se a mostrar obras de arte adquiridas ao abrigo de um programa de apoio à produção de arte digital, inscrito, a partir de agora, nos objectivos estratégicos do MEIAC.

O Seminário de Arte e Tecnologia, destinado aos directamente interessados no desenvolvimento da cultura digital, mas também aos inevitavelmente atingidos por ela, será um lugar sobretudo de estímulo às novas direcções que a arte naturalmente empreenderá no Século XXI.

 

 

Ao contrário do que se poderia pensar, a questão linguística continua a ser politicamente interessante na perspectiva do ciberespaço. Os grandes espaços linguísticos (Inglês, Chinês, Espanhol, Português, etc.) tendem a reproduzir-se na web e em todo o software informático. Apesar da expansão crescente do inglês, não podemos todavia considerar este idioma como a matriz de uma espécie de ciberesperanto inevitável. Esta questão, difícil de resolver, está na origem da evolução cada vez mais surpreendente dos tradutores digitais, bem como da proliferação dos modos de comunicação não verbal, através das chamadas interfaces multimodais: gráficos, icones, sinais sonoros, animações vídeo, etc.

O problema interessante para os artistas e outros operadores culturais cuja língua materna não é o inglês será o de saber se estão ou não condenados a traduzir e a "localizar" permanentemente as suas obras em função dos espaços geo-culturais a que pretendem chegar. E em caso afirmativo, que consequências advirão de semelhante constrangimento? Quais são as opções alternativas à hegemonia anglo-saxónica no ciberespaço?

Será incorrecto falar de vanguardas artísticas no preciso momento em que nasce a era digital? Será que as velhas vanguardas têm ainda força suficiente para continuar a isolar a arte do resto do mundo?

Tal como sucedeu com a fotografia, o cinema e a televisão, também com a arte digital e o multimédia surgirá uma geração de novos autores. Nascerá da decepção provocada pelos neo-academismos ensimesmados, mas nascerá sobretudo por efeito das próprias características tecnológicas que impregnam a vida contemporânea.

Existe uma curiosa oscilação entre o uso da web como suporte de representações artísticas (por vezes, meras reproduções digitais de originais oriundos doutras "matérias"), como interface multimodal de interacção comunicacional e estética, ou como embrião comunitário, local e disciplinarmente circunscrito.

 

Um dos problemas mais agudos da era digital é a sua complexidade intrínseca. Se por um lado, a maioria da população mundial é analfabeta, por outro, a maioria dos letrados é incapaz de usar um computador. Este problema tem, como se sabe, implicações importantes na evolução dos povos e da política.

Que se passa quando transportamos esta questão para o domínio das artes contemporâneas? Estarão os artistas, as escolas e os museus preparados para a mutação que se avizinha a passos largos?

Uma das questões inerentes às novas tecnologias artísticas é a redefinição da noção de autoria que provocam. O processo criativo, da ideia à forma final da obra de arte, transformou o artista solitário num director de projecto e num encenador. Todavia, o fenómeno da interactividade exige do artista actual um domínio crescente das tecnologias digitais e de informação. Seria interessante podermos começar desde já a fazer um mapa da competência tecnológica da arte contemporânea.









21.01.00

10h30 -11h30 | J. Luis Brea
Last (no) Exit : net. - primeros pasos de un arte del siglo 21

12h00 -13h00 | Claudia Giannetti
Arte Electronico: Redes e Interactividad
Los proyectos de MECAD y ESDI en Barcelona

17h00 - 18h00 | JODI
'CTRL - SPACE'; SOD'works based on computer games

 18h30 - 19h30 | Dora García
Secretamente, y sin que nadie se haya dado cuentahasta ahora...


22.01.00

10h30 - 11h30 | Marcel Li Antunez
Protesis Emotivas
Breve recorrido por la obra de Marcel Li Antunez Roca

12h00 - 13h00 | Fernando José Pereira
Vanguardas Artísticas na Web
A curiosidade afinal não matou o gato

17h00 - 18h00 | Montxo Algora
Arte, sangre y retrovisores

18h30 - 19h30 | Karin Ohlenschlager
Arte electronico: modelos, territorios y perspectivas

 

 

moderador: António Cerveira Pinto


Informações

Sofia Vitorino

celular 00351 92 75 44 897

sofia@risco.pt