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| Este seminário,
que se prevê anual, decorre em grande parte da
criação da Galeria Virtual do MEIAC,
cuja presença na ARCO 2000 dará
início ao primeiro núcleo
museológico centrado exclusivamente na arte
digital de autores iberoamericanos. A
designação "arte digital" é, em
primeiro lugar, um modo de pensar as novas
condições de produção,
circulação e usufruto da própria
criação artística
contemporânea. Entrámos numa nova era de
competição dos saberes, de
competição produtiva e de
competição comercial, a qual dará
seguramente origem a uma nova espécie de
divisionismo económico, social e cultural. Para
a arte contemporânea, o debate sobre a
incidência decisiva da tecnologia, da
comunicação, da telepresença e da
interactividade no seu futuro imediato torna-se,
assim, inadiável. O momento
anti-tecnológico e anti-estético da
modernidade chegou ao fim. A "arte digital"
é a arte do "mundo global". E o "mundo global"
é uma forma inteiramente nova de hiperrealismo
em rede, da representação do mundo
confundida com a sua própria
percepção, da telepresença
constante, da grande interactividade e da promessa de
uma nova democracia, que por ora espera
impacientemente o seu Montesquieu. A Internet
é, por assim dizer, o estado instantâneo
e actual desta mutação civilizacional.
Não sabemos onde esta rede magnífica e
caótica irá parar. Sabe-se, para
já, que é capaz de gerar simultaneamente
a globalização e a
localização das identidades e da
comunicação. Esta espécie de
globalização local, e de
localização global, é uma
realidade complexa e sobretudo exigente.
Ignorá-la significa já uma certa forma
de exclusão (ou de
auto-exclusão). Nos campos
artísticos e da museografia a
revolução digital tinha que despontar
mais tarde ou mais cedo. O Louvre, o Smithsonian
Institution, o MoMA, o Whitney Museum, foram alguns
dos pioneiros da virtualização do museu.
O Walker Art Center foi a primeira
instituição a criar uma
colecção de arte digital nascida na Web
(a chamada "web art" ou "net art"). O Guggenheim, por
sua vez, lançou em 1999 um ambicioso programa
de produção e divulgação
de arte digital, a que chamou Virtual Projects. A
iniciativa do MEIAC, de apresentar o seu Web Site e a
sua Galeria Virtual nos meses de Janeiro e Fevereiro
de 2000, pertence seguramente a este primeiro ciclo de
adaptação à nova
realidade. O Site do MEIAC
será a sua forma expedita de comunicar com o
mundo e de permitir que esse mesmo mundo aceda
remotamente ao seu conteúdo. A Galeria Virtual
do MEIAC, por sua vez, destina-se a mostrar obras de
arte adquiridas ao abrigo de um programa de apoio
à produção de arte digital,
inscrito, a partir de agora, nos objectivos
estratégicos do MEIAC. O Seminário de
Arte e Tecnologia, destinado aos directamente
interessados no desenvolvimento da cultura digital,
mas também aos inevitavelmente atingidos por
ela, será um lugar sobretudo de estímulo
às novas direcções que a arte
naturalmente empreenderá no Século
XXI. Ao contrário do
que se poderia pensar, a questão
linguística continua a ser politicamente
interessante na perspectiva do ciberespaço. Os
grandes espaços linguísticos
(Inglês, Chinês, Espanhol,
Português, etc.) tendem a reproduzir-se na web e
em todo o software informático. Apesar da
expansão crescente do inglês, não
podemos todavia considerar este idioma como a matriz
de uma espécie de ciberesperanto
inevitável. Esta questão, difícil
de resolver, está na origem da
evolução cada vez mais surpreendente dos
tradutores digitais, bem como da
proliferação dos modos de
comunicação não verbal,
através das chamadas interfaces multimodais:
gráficos, icones, sinais sonoros,
animações vídeo, etc. O problema
interessante para os artistas e outros operadores
culturais cuja língua materna não
é o inglês será o de saber se
estão ou não condenados a traduzir e a
"localizar" permanentemente as suas obras em
função dos espaços geo-culturais
a que pretendem chegar. E em caso afirmativo, que
consequências advirão de semelhante
constrangimento? Quais são as
opções alternativas à hegemonia
anglo-saxónica no
ciberespaço? Será incorrecto
falar de vanguardas artísticas no preciso
momento em que nasce a era digital? Será que as
velhas vanguardas têm ainda força
suficiente para continuar a isolar a arte do resto do
mundo? Tal como sucedeu com a
fotografia, o cinema e a televisão,
também com a arte digital e o multimédia
surgirá uma geração de novos
autores. Nascerá da decepção
provocada pelos neo-academismos ensimesmados, mas
nascerá sobretudo por efeito das
próprias características
tecnológicas que impregnam a vida
contemporânea. Existe uma curiosa
oscilação entre o uso da web como
suporte de representações
artísticas (por vezes, meras
reproduções digitais de originais
oriundos doutras "matérias"), como interface
multimodal de interacção comunicacional
e estética, ou como embrião
comunitário, local e disciplinarmente
circunscrito. Um dos problemas mais
agudos da era digital é a sua complexidade
intrínseca. Se por um lado, a maioria da
população mundial é analfabeta,
por outro, a maioria dos letrados é incapaz de
usar um computador. Este problema tem, como se sabe,
implicações importantes na
evolução dos povos e da
política. Que se passa quando
transportamos esta questão para o
domínio das artes contemporâneas?
Estarão os artistas, as escolas e os museus
preparados para a mutação que se
avizinha a passos largos? Uma das
questões inerentes às novas tecnologias
artísticas é a redefinição
da noção de autoria que provocam. O
processo criativo, da ideia à forma final da
obra de arte, transformou o artista solitário
num director de projecto e num encenador. Todavia, o
fenómeno da interactividade exige do artista
actual um domínio crescente das tecnologias
digitais e de informação. Seria
interessante podermos começar desde já a
fazer um mapa da competência tecnológica
da arte contemporânea. 10h30 -11h30 |
J.
Luis Brea 12h00 -13h00
|
Claudia Giannetti 17h00 - 18h00 |
JODI 18h30 - 19h30
|
Dora
García 10h30 - 11h30
|
Marcel Li Antunez 12h00 - 13h00 |
Fernando
José
Pereira 17h00 - 18h00
|
Montxo Algora 18h30 - 19h30 |
Karin
Ohlenschlager moderador:
António
Cerveira Pinto Sofia Vitorino
Junta de Extremadura - Consejeria de Cultura
MEIAC - Museo Extremeño e Ibero Americano de
Arte Contemporáneo, Badajoz
net.art e comunidades virtuais
20,21,22-01-2000
Comissario: António
Cerveira Pinto
Patrocinios
IAC - Instituto de Arte Contemporânea
Gabinete de Iniciativas Transfronterizas
Caja de Badajoz
O 1º Seminário de Arte e Tecnologia
(SAT1), promovido pelo Museo Extremeño e
Iberoamericano de Arte Contemporáneo,
realiza-se nos próximos dias 20, 21 e 22 de
Janeiro em Badajoz. Esta iniciativa destina-se a
fomentar o intercâmbio de conhecimentos, ideias
e experiências entre artistas, críticos,
promotores e outros agentes culturais especializados,
sobre as relações cada vez mais
estreitas entre a criação
artística e as tecnologias digitais de
representação e
comunicação interactivas. Durante este
seminário serão apresentados e
discutidos alguns dos mais recentes projectos
relacionados com as chamadas arte digital, net.art e
respectivas comunidades virtuais.



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